Afinidades Pornográficas II

Donatien-de-Sade

Marquês de Sade: Escritor e dramaturgo francês

Breve Biografia de Marquês de Sade
Marquês de Sade (1740-1814) foi um escritor libertino, dramaturgo e filósofo francês. Sua obra foi marcada pela pornografia e pelo desprezo moral. O nome Sade deu origem ao termo sadismo, que faz referência às cenas de crueldade e de tortura descritas em seus livros.
Marquês de Sade (1740-1814) nasceu no palácio de La Coste, em Paris, França, no dia 2 de junho de 1740. Filho do Conde de Sade Jean Baptiste François Joseph e de Marie Eleonore de Mailé de Carman estudou com preceptores e com dez anos ingressou no colégio jesuíta Lycée Louis-le-Grand, em Paris. Com 14 anos entrou para a Escola de Cavalaria e em 1755 tornou-se subtenente do Regimento de Infantaria do Rei. Chegou ao posto de coronel e lutou na Guerra dos Sete Anos. Tornou-se capitão do regimento de cavalaria de Bourogne.
Em 1763 casa-se com Reneé-Pélagie de Montreuil. Nesse mesmo ano, por libertinagem, passa 15 dias na prisão de Vincennes. No ano seguinte é recebido pelo parlamento de Bourgogne no cargo de tenente geral das províncias de Bresse, Bugey, Valromey e Gex. Levando uma vida de boêmio, mantém relacionamentos com atrizes e dançarinas. É processado por maus tratos e é mais uma vez detido. Realiza festas e bailes em seu castelo de La Coste, na Provence.
Em 1772, o Marques de Sade provoca um grande escândalo, em Marselha, quando participa de uma orgia com seu criado e com quatro prostitutas. É então condenado à morte, mas foge para a Itália. Nesse mesmo ano, é detido em Chambéry e levado para a prisão em Miolans, na Savoie. Em 1773 foge de Miolans e se isola no seu castelo em La Coste.
Casado e com três filhos, o Marquês de Sade continua organizando diversas orgias em seu castelo. Com risco de novamente ser preso foge para a Itália. De volta à França, em 1776, é novamente capturado em Paris e no ano seguinte é encarcerado em Vincennes. Durante a prisão escreve “Um Prêtte et um Moribond” (1782). Em 1784 é levado para a Bastilha. Escreveu: “Os 120 Dias de Sodoma” (1785), “Os Infortúnios da Virtude” (1788). “Eugênie de Franvel” (1788).
O Marquês de Sade passou grande parte de sua vida em prisões, pagando por crimes de licenciosidade, perversões e violências sexuais, porém, foi nessa época que escreveu uma obra ampla e complexa. Ateu, fazia críticas à religião dominante, fazia apologia ao crime e usava termos grotescos para tecer suas críticas morais à sociedade urbana.
Em 1789, com a tomada da Bastilha, o Marquês de Sade é transferido para Charenton e todos os seus documentos e bens pessoais são saqueados. No ano seguinte é libertado e inicia sua ligação com Marie-Constance Quesnet. Em 1791 publica “Justini”. No ano seguinte seu texto “La Suborneur” é levado à cena, mas não obtém sucesso. Em 1793 redige textos políticos e acusado de delito é preso em Carnes Saint-Lazane, na casa de saúde de Picpus. É condenado à pena de morte, mas é liberado.

Em 1795 publica clandestinamente “La Philosophie dans le Boudoir” e “Aline et Valcour”. Em 1796 sua peça “Oxtiern” é encenada em Versalhes, onde vive de forma modesta. Em 1801 é preso na sua editora quando os volumes de “Justine” e também “Juliette” são apreendidos. É transferido para Saint-Pálagie e depois para Bicètre, onde passa a organizar espetáculos para os doentes mentais, que se tornam atração para visitas da aristocracia parisiense. Em 1807 escreve Jourmées de Florbelle, mas os manuscritos foram apreendidos em seu quarto e queimados em praça pública por seu filho, depois de sua morte.

Marquês de Sade faleceu em Saint Maurice, França, no dia 2 de dezembro de 1814.

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Sade e os sinos: violência e sensibilidade pornoerótica

Havia um único e inconfundível som que vencia sempre o
clamor de uma vida agitada e que, por mais difuso que soasse,
por um momento elevava tudo a uma esfera de ordem: o dobrar
dos sinos. Na vida cotidiana, os sinos eram como espíritos
protetores cujas vozes familiares ora anunciavam o luto, a
alegria, a paz ou a desordem; ora conclamava, ora advertiam
(HUIZINGA, 1919, p.12-13).

Em “O outono da idade média”, ao analisar a transição entre a sociedade medieval e a moderna, a partir do declínio das instituições feudais e do poder da igreja católica, Huizinga reconhece o lugar de ordenamento destinado aos sinos e seus efeitos na vida cotidiana, tanto da realeza, quanto do cidadão comum. Naquela época, a visão de mundo fora do âmbito religioso era absolutamente remota. Por isso, os sinos elevavam tudo a uma esfera de ordem. Assim, a veemência da vida em questão parecia impensável para o homem moderno. Segundo o historiador holandês, se o contraste entre o verão e o inverno era mais severo do que para nós, também o era entre a luz e a escuridão, o silêncio e o ruído, pois a cidade moderna desconhecia a escuridão e o silêncio profundos.

Ao pensar este período histórico a partir de uma estação do ano, o outono, entra em cena um contexto marcado pelo desânimo com a vida, o profundo pessimismo, a vingança, o medo, o horror frente às preocupações com as doenças, as batalhas e a velhice. Tudo parecia relegado ao sofrimento, onde o anseio por uma vida mais bela seria impossível de se imaginar. Não é por acaso que “o fim da idade média foi a época de ouro da justiça severa e da crueldade judiciária” (idem, p.38).

Julgamos importante essa breve introdução histórica, pois não será por acaso também, o advento de Donatien Alphonse- François, o Marquês de Sade (1740-1814) como um dos pioneiros da revolucionária literatura libertina. Sade, ao advertir que não há paixão mais egoísta que a luxuria, além de atacar o imperativo de se deixar dobrar pelos sinos, e consequentemente, pela divindade, a lei e a moral, irá levar às últimas consequências a busca de uma excitação suprema e a prática da expressão hiperbólica da dor. Neste contexto, no século XVIII, surgem os libertinos, uma espécie de liberais que radicalizam os ideais iluministas e desestabilizam os códigos de representação de sua época, sobretudo, naquilo que diz respeito às representações do corpo, do desejo, do poder, do sexo e da violência. Eles se tornaram protagonistas de uma forma subversiva de pensar capaz de se desdobrar entre a intensidade das luzes e a penumbra do final do século.

Apesar de ser um liberal, o libertino não estará implicado com uma doutrina política, pois ele requer apenas uma pedagogia de vida. Isto não quer dizer uma posição anárquica de aversão ao poder frente à proposição de uma nova ideologia. Pelo contrário, como refere Le Brun (2000), “não há ideologia em Sade”. Segundo a autora, “a ideia de ideologia pode remeter a um conceito de verdade absoluta que estaria camuflado no discurso ideológico, conduzindo a uma dicotomia entre aparência versus essência, ou ainda, entre a representação e a coisa em si, conceitos negados pela filosofia libertina”. O que está em questão na prática libertina é a encenação de um universo imaginário, onde experiência
erótica e reflexão estão amalgamadas [1].

Tomado pelo o anseio de supor que tudo pode ser dito e teatralizado, o libertino exige o autogoverno, recusando assim, se deixar dobrar por qualquer ordenamento, salvo as regras instituídas pelo regulamento que visa o próprio gozo. Disto, de um lado se reconhece a libertação de uma sexualidade capaz de se ampliar num campo de possibilidades jamais escrito; de outro, concordamos com Foucault (1994, p.822), “Sade teria inventado um erotismo disciplinar e ao mesmo tempo nos entedia, na medida em que parece um sargento do sexo…”. Herdeiro das trevas, Sade irá ler a natureza como a responsável pela degradação humana, haja vista o inevitável surgimento das doenças e das catástrofes naturais. Assim, ao invés de ser corroído por ela, ele irá antecipar seus efeitos degradantes mediante a busca de um gozo sem limites. Diante disso, o projeto libertino, por odiar a mãe natureza, e consequentemente, o outro, exige a plena indiferença com o semelhante. Logo, faz-se imperativo a recusa da tolerância e a sensibilidade alheia, pois é preciso gozar, antes que a natureza acabe com tudo.

Em contrapartida, para calar o dobrar dos sinos que pautavam os ritmos, as condutas e os valores predominantes da sociedade, Sade irá libertar a sexualidade de dogmas e preconceitos, introduzindo assim, uma nova representação de sensibilidade. Neste momento, o Castelo irá se constituir como o refúgio por excelência da libertinagem. Isto está na origem da filosofia libertina, a saber, a distância do domínio público. Mesmo porque, a prática libertina começou a ser encenada na corte pelos nobres, ou seja, o espaço da alcova era orquestrado pela aristocracia francesa. Portanto, o Castelo que se constitui como refúgio será também uma espécie de resistência a tirania imposta pelo ordenamento coletivo. Logo, o libertino irá constituir o espaço adequado para a libertinagem.

Não precisamos desanimar, o libertino em tempos atuais pode ser mais humilde e fazer uso de uma quitinete, uma cabana,ou até mesmo, um barraco. Tudo poderá representar o castelo imaginário, desde que, o ambiente para libertinagem tenha o estatuto de refúgio, caracterizando-se como o local adequado para a prática. Para adentrá-lo, você precisa ser convidado, ou seja, libertinagem é coisa séria. Não foi por acaso que Bataille (1980), como um grande leitor de Sade, advertiu que o erotismo é um tipo de saber ao qual só se acede na prática. Quanto ao lugar, Giannattasio descreve a sua particularidade:

“o espaço da alcova é ao mesmo tempo território da teoria e da
prática, bem como centro de produção e reatualização do
imaginário. Transferir a ação sadiana para um outro espaço,
qualquer que seja, significa certamente higienizá-la e
domesticá-la. Trata-se em verdade, de formular um modelo ideal
de pedagogia. O modelo que melhor possa revelar ao homem
sua condição” (GIANNATTASIO, 2000, p.30).

Como sabemos, a obra sadiana é alvo de múltiplos rótulos, entre outros: insana, perversa, indecente e imoral, pois como observou Foucault (1974-1975), foi através desta que se deu o surgimento do “monstro” no campo da literatura. Entretanto, cabe também reconhecer que esta “escrita do excesso”, marginalizada, conforme sublinha Moraes (2012) [2], resguarda seu “caráter vanguardista [3]”. Neste aspecto, situo-me entre os psicanalistas que se debruçam sobre essa literatura para avançar nas interrogações sobre a perversão, pois a obra de Sade interroga as fragilidades de nossas categorias de analise, levando-nos a reconhecer a equivocação sobre o sexual e as sexualidades. Portanto, temos muito a aprender com Sade, sobretudo, se despatologizarmos o nosso olhar sobre a sua escrita. Mais do que isso, com ele aprendemos que não há limite para excitação, cada órgão do corpo pode dispor de uma sensibilidade impar e um gozo incomparável. A começar
pelos ouvidos. Este será o primeiro orifício a ser, cuidadosamente, perfurado, pois na prática libertina, a sexualidade que será encenada ao seu tempo, exige antes, ser pedagogicamente enunciada.

Tendo em vista a crueza das dramatizações sexuais imaginadas por Sade, sua obra, facilmente, pode ser lida como a prevalência de uma pornografia aberrante em detrimento de qualquer erótica. Moraes (2012) nos ajuda a transpor a tentação de estabelecer essa fronteira. Segundo a autora, a tese de que o pornográfico tende a mostrar tudo e a erótica apenas sugere, deixando uma espécie de véu sobre a coisa, acaba por delimitar “uma estética de apelo moral e moralista por excelência”. Assim, o pornográfico, como frequentemente é concebido, não ficaria relegado a categoria do obsceno diante de um evidente mecanicismo monótono que passaria a recobrir qualquer possibilidade do exercício de uma estética “erótica mais elevada”.

Neste sentido, pode-se dizer que Sade, além de contribuir para sustentar um discurso capaz de reconhecer outras possibilidades de representar o corpo, o sexo, o gozo e a morte, também pôde demonstrar o quanto a erótica e a pornografia podem andar de mãos dadas. Desse modo, a fronteira rígida de que o pornográfico choca e o erótico seduz, e sendo assim, ambos seguiriam caminhos díspares, não cabe a literatura sadiana. Em Sade, paradoxalmente, a retórica da sedução é escandalizadora. Sade é pornoerótico.

A ideia de escandalizar está presente desde os seus primeiros escritos e perdura após dois séculos de sua morte. Inúmeros são os argumentos que justificam o fato de uma obra continuar causando esse efeito em diferentes contextos históricos, sociais, políticos e culturais. Tanto o adjetivo de ser lido como uma espécie de monstro do sexo, capaz de
transpor limites em busca de gozos interditados aos alienados a preceitos religiosos e códigos morais de conduta, quanto a particularidade de ter escrito toda sua obra na prisão, passando por três regimes políticos distintos, somando quase trinta anos de clausura, são apenas alguns dos fatores. Por outro lado, cabe lembrar, tais escritos eram comuns em sua época. Mas, porque então, ele ainda continua causando efeitos? Moraes (2012) e Le Brun (2015) irão propor interpretações pertinentes para essa questão. Para Moraes, “a pornografia choca quando perturba as zonas de tolerância”, ou seja, o problema se dá “quando essas formas pornográficas saem do seu gueto, aí escandaliza”. Qual seria a zona transposta por Sade? Le Brun (2015), em entrevista [4] concedida a Jean Comil, que lhe interroga sobre: – o que Sade nos diz hoje que poderia clarear a nossa visão subversiva sobre o mundo contemporâneo?, aponta-nos: “o escândalo provocado por Sade (2008a) foi em: A filosofia na alcova, colocar a filosofia dentro da Alcova”. Assim, ao tomar o desejo como centro de tudo, como motor do pensamento, ele irá discutir, filosoficamente, no meio da orgia. Há aí um ineditismo, pois a libertinagem se torna objeto de reflexão filosófica em ato. Trata-se de um novo paradigma na literatura e na filosofia. Como observa Moraes (2012), Sade perturbou: “nossa cultura teme a ligação entre sexo e saber”.

Além de colocar em xeque os códigos culturais, Sade faz um Ato, pois como sublinha Le Brun (2015) “o pensamento vai tomar conta do corpo”. Na alcova sadiana não há disjunção entre corpo, pensamento e gozo. Moraes refere que para além do conteúdo em questão, Sade produz “uma operação simbólica”, tendo como consequência, “o poder de desvio”. Isto ajudou a romper com uma lógica instituída e cristalizadora, agenciando assim, outras leituras e representações do sexo e das sexualidades. Neste sentido, se estamos de
acordo com a afirmação de Bataille: “o que o erotismo implica é sempre uma dissolução das formas constituídas” (1980, p.19), logo, Sade é um percussor do erotismo. Curiosamente, para isso se dar, ele precisou por seu ser em questão diante a busca frenética de calar os sinos e profanar a filosofia. Neste aspecto, Bataille (1980) já havia advertido: “essencialmente, o domínio do erotismo é o domínio da violência, o domínio da violação (p.17)”. Sade teria levado esse principio as últimas consequências.

Portanto, seria ingenuidade fazer uma leitura fechada do texto sadiano, reduzindo a potencia de sua obra, ao conceber que o pai dos libertinos, apenas teria inaugurado um universo de orgias mórbidas e perversas. Não é verdade. Apesar de Sade atacar o sol [5], há frestas de luz em sua escrita. Para dar visibilidade a essa leitura, faz-se imprescindível reconhecer a face libertária do autor; caso contrário, corre-se o risco de lê-lo somente a partir do crivo libertino.

O poder de desestabilizar as formas instituídas e revolucionar o olhar sobre o corpo, a imagem e o sexo, deu voz a possibilidade de reconhecer a sexualidade em seu caráter infinito e irrepresentável. Apesar da busca pelo extremo de excitação, assim como da encenação daquilo que fora imaginado, gozando de cifras megalomaníacas, como podemos constatar em: Os 120 dias de Sodoma, ou, a escola da libertinagem, Sade (2008b) nos transmite o quanto o saber sobre o sexual é sempre insuficiente. Conforme Moraes: “Vale lembrar que, assim como o sexo, os números são inequívocas fontes de prazer no mundo do deboche. Antes de mais nada porque a enumeração sadiana visa a explicitar as cifras de gozo” (2013, p.74). Tais cifras buscam instrumentalizar o corpo como se ele todo pudesse ser uma zona erógena, passível de ser ativada a qualquer momento, bastando apenas pronunciar a palavra certa seguida do toque oportuno.

Ao encenar a violência do desejo, conforme Le Brun (2014), Sade busca o impossível: “representar o irrepresentável”. Por isso, ao flertar com os extremos, fica evidente a presença de um real intransponível, assim como, o reconhecimento de uma sensibilidade jamais explorada. Logo, ao reconhecê-lo, também, como um libertário, poderemos viabilizar novas possibilidades de leituras do texto sadiano. Para isso se dar é necessário transpor o sadismo e ler Sade, transpor o libertino e reconhecer o seu caráter libertador, transpor o perverso e ler as infinitas formas de gozo. Talvez assim, Sade possa ser
estranhamente familiar. Como observou Bataille (1980), o pensamento de Sade jamais poderá ser redutível a loucura. Pelo contrário, ele pode ser lido como um excesso vertiginoso de nós mesmos.

Uma crítica importante de Sade é que ele, a fim de chegar às suas conclusões, levou tudo ao extremo. A psique humana não é totalmente escurecida nem esclarecida, mas uma planície em que ambas as partes se misturam. Sade deixou um legado brutal e sublime. Ele é um enigma: por um lado, era um homem de elevada autoimportância com um brutal temperamento sexual, por outro um homem apaixonado e dedicado à defesa do indivíduo, possuidor de uma profunda compreensão das complexidades da psique humana. Como tratar a memória dele deve ressoar através dos séculos: devemos queimá-lo ou celebrá-lo?

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NOTAS:

[1] Pode-se dizer que ‘A filosofia na Alcova ([1795] 2008a) é um claro exemplo disto. Neste texto, o universo fantasmagórico sadiano irá encenar uma verdadeira obstinação em sondar os abismos da alma, colocando seus personagens e leitores, face a face com um constante estado de vertigem. Desde o primeiro diálogo encontra-se o esboço do contrato que será arquitetado entre Saint-Ange, aquela que determina a lei a ser executada, e seu irmão e amante, o Cavaleiro de Mirvel. Trata-se dos rumos da educação da virgem Eugénie, à qual Saint-Ange foi encarregada pelo pai da menina para ser preceptora por dois longos e tortuosos dias.

[2]Remete a palestra realizada em 2004 no Café Filosófico da TV Cultura, pela crítica literária Eliane Robert de Moraes sobre o tema da Pornografia.

[3] No que diz respeito ao aspecto vanguardista da obra de Sade, vale a pena a conferência intitulada “Le Marquis de Sade par Marc Bonnant”, realizada em 19 de fevereiro de 2015, disponível no youtube. Ao dramatizar uma verdadeira encenação da “voz sadiana”, Bonnant vai ler Sade como um dos fundadores da modernidade, criador da mais vasta enciclopédia de perversidades sexuais, revolucionário, fundador do ateísmo, humanista, vanguardista e grande figura do feminismo. O conferencista vai propor Sade mais libertário do que libertino. Algumas janelas se abrem a partir disto.

[4] Entretien avec Annie Le Brun et Nicole Lapiere – Deux femmes á la Pensée Critique.

[5] Sugere-se o vídeo disponível no youtube: Conférence Inaugurale: “Sade. Attaquer le Soleil”. Avec Annie Le Brun et Laurence des Cars, 30 octobre, 2014 – Auditorium de musée d’Orsay. Nesta conferência, as autoras vão propor uma discussão em torno da obra de Sade, considerando tanto o contexto histórico que ela surge, quanto o seu impacto no campo das artes e da literatura. Ambas nos fazem pensar a importância desse autor para introduzir uma nova noção de sensibilidade, mediante um pensamento revolucionário capaz de reconhecer um corpo em permanente processo de transformação diante a violenta expressão do desejo. Destacam-se as pinturas, esculturas e fotografias. Embora, cabe ressaltar, a observação de Lebrun: “a exposição participa menos da história da arte do que a história da sensibilidade”. Sim! Há sensibilidade em Sade!

Referências bibliográficas:

BATAILLE. G. O erotismo. O proibido e a transgressão. Moraes editores, 2 edição: SP: 1980.
GIANNATTASIO, G. Sade: um anjo da modernidade. São Paulo: Imaginário, 2000.
HUIZINGA, J. (1919). O outono da idade média. Estudo sobre as formas de vida e de pensamento dos séculos XIV e XV na França e nos países baixos. São Paulo: COSACNAIFY, 2013.
LE BRUN. A. Du trop de réalité. Collection Folio essais, Gallimard, 2000
MORAES. E, R. Perversos, amantes e outros trágicos. SP: Iluminuras, 2013.
ROSA JR, N, C, D. Alcova sadiana: a perversão enquanto subtração da filiação. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre/APPOA, Porto Alegre, n.40, p.170-191, jan./jun.2011.
SADE, M. A filosofia na alcova, ou, os preceptores imorais [1795]. SP: Iluminuras, 2008a.
________. Os 120 dias de Sodoma, ou, a Escola da libertinagem. SP: Iluminuras, 2008b.
Entretien avec Annie Le Brun et Nicole Lapiere- Deux femmes á la Pensée Critique. Ver Youtube, publicado em 30 de março de 2015.

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